terça-feira, 15 de setembro de 2009

Maria

Tudo começou com a Maria.
Qual Maria?
Há tantas Marias, são todas Marias.
Mas qual Maria das Marias?
Só Maria!
A Maria guitarra. a Maria de todas as cores e vestida de todos os sons.
Não conheço a Maria, apenas conheço imagens suas e mesmo essas com excesso de luz que desfocam os seus contornos e contrastes. As imagens da Maria têm ausência de pretos e brancos...só cinzentos.
A primeira imagem, e mais nitida, é a imagem da sua voz. Uma voz cor de pastel que em momentos de suposta alegria se transforma num bailarino de tango, com toda a sua segurança e sensualidade.
São poucos os que conhecem as imagens da voz da Maria. A imagem mais conhecida é a de uma voz de jardim, colorida e perfumada, mas na verdade a menos transparente para mim.
É esta a voz que a Maria quer que conheçam, a mais fácil de compreender para quem não a quer realmente conhecer.

Quem está aí?

Que barulho ensurdecedor! Batem à porta? Quem quer entrar?
Não! Ninguém quer entrar, quer tudo sair…
Tanta gente lá dentro!
Não conseguem preencher o vazio existente, mas que balbúrdia criam.
Tento descer para o labirinto onde todos se encontram. O percurso é doloroso, escadas que se cruzam, e o principio é o fim. A sensação de ter entrado numa pintura matemática do Escher vai aumentando.
Cada vez mais aumenta a agitação.
Almas imaturas cheias de vida, gritam, correm, riem e choram sem sentido, típico de uma criança. Atropelam-se a tentar sair de qualquer maneira, correm esbaforidas para todos os extremos do corpo. Tentam sair pelos poros e pela boca.
Saem pela boca os inconsequentes, inconscientes, dolorosos até…sem duvida… inconsequentes!
Esmagado pelas paredes que se unem , o ar rarefeito e escasso, sinto o percurso mais duro e o meu peso aumenta.
O silêncio cor de chumbo aumenta…estará mais alguém?
Olhares brancos cheios de história brilham no breu, reflectem a soma de todas as cores, a frescura de uma vida.
Com um olhar atento ouço a beleza das marcas do passado que se contorcem.
Cada sulco é uma história que ficou, um rendilhado expressivo que faziam as delicias de qualquer pintor.
E como gritam, gritam um profundo silêncio.
Estou cansado, e continuo vazio!
Shiuuuu!!! São horas de descansar!
As almas novas caem exaustas num sono profundo.
Tudo parece mais calmo.
Mas há sempre alguém do passado em vigília.
Aguarda a boleia de uma lágrima para respirar!
Ainda há lugar...